Transporte e urbanismo
A prefeitura brasileira decide sobre semáforo, faixa, rota de ônibus e obra viária com dado escasso e caro de produzir.
A prefeitura brasileira decide sobre semáforo, faixa, rota de ônibus e obra viária com dado escasso e caro de produzir. Enquanto isso, milhões de trajetos são registrados todos os dias por aplicativos de navegação.
O diagnóstico
Há programas de troca de dados entre plataformas de navegação e governos — a cidade informa bloqueios e obras, e recebe de volta dado de fluxo. Joinville usou isso para redesenhar um cruzamento: um estudo publicado na urbe registrou queda de 6,2 minutos no tempo médio de deslocamento, com ganho de produtividade estimado em cerca de R$ 7,6 milhões por ano.
O que defendemos
- Capacidade técnica municipal para ler e questionar o dado — sem isso, a prefeitura vira usuária de um painel que não entende.
- Dado de mobilidade tratado como base pública: o que orienta decisão de obra tem de ser auditável por quem mora ali.
- Não depender de uma única fonte privada, combinando dado de aplicativo com contagem pública e bilhetagem.
- Continuidade além do mandato, com o método registrado na administração e não na cabeça de um secretário.
A tensão que reconhecemos
O mesmo estudo é honesto sobre os limites: o método rende em área pequena e fica inviável ao escalar; projetos que precisam de mais de quatro anos morrem na troca de gestão; e a participação social ficou no nível da consulta, sem poder real de decisão. Dado de aplicativo também representa melhor quem tem carro e celular — desenhar cidade só com ele é desenhar para uma parte da população.