Estado digital

O que o Pix e o gov.br provam

Comerciante mostra o QR code de pagamento no celular ao cliente, no balcão de um pequeno comércio de bairro

O Brasil tem prova viva de que o Estado sabe inovar em escala e no interesse público. O Pix e o gov.br não vieram de desregulamentação nem de concessão: foram construídos por instituições públicas que definiram padrão aberto, obrigaram interoperabilidade e trataram acesso como direito, não como produto.

Essa é a resposta mais forte que o campo progressista tem contra a tese de que só o mercado entrega. E é também a autocrítica mais dura: se sabemos fazer isso em pagamento e identidade, por que a fila do SUS, a matrícula escolar, a licença municipal e o atendimento previdenciário continuam sendo o que são?

A diferença não é tecnológica, é institucional. Onde houve mandato claro, equipe técnica dentro do Estado e padrão aberto imposto a todos, funcionou. Onde a política virou contrato de fornecedor, com o conhecimento saindo junto com o consultor no fim do projeto, não funcionou. Capacidade estatal não se compra; acumula-se.

O que defendemos: carreira e equipe técnica permanentes dentro do Estado, sem terceirizar o núcleo; padrão aberto e obrigatório de interoperabilidade entre União, estados e municípios; serviço público digital medido por tempo de resolução para o cidadão, não por sistema entregue; e atendimento presencial preservado, porque digitalizar não pode significar excluir quem não está conectado.